Todos falam mal da troca entre o Miami Heat e o Phoenix Suns. Shaquille O’neal por Shawn Marion, Shaq Diesel por The Matrix. Mas, será que existem motivos para reclamar desta troca?
Vamos analisar as vantagens e desvantagens para cada equipe:
Shaq vai acabar com o contra-ataque do Suns: vamos começar entendendo a nova “tendência” da NBA, a culpada por esta crítica, que leva muitos escritores, “fãs”, e ovelhas a acreditarem nisto: o small-ball: small-ball, quando uma equipe, Suns (antes da troca), Golden State Warriors, Dallas Mavericks são grandes exemplos, utilizam uma equipe baixa, com um ala de força (nunca vou me acostumar com o termo ala/pivô) no lugar do pivô. É um estilo divertido, nos anos 80 o Warriors já tinha o Run-TMC, com Tim Hardaway, Mitch Richmond e Chris Mullin,muito divertido de ver, um jogo rápido sem muito tempo de posse de bola gasto. Nenhuma equipe venceu com o small-ball. Alguns citam o Chicago Bulls do Michael Jordan como uma equipe que venceu, mas, mesmo sem um pivô sendo um dos protagonistas, e nem entrando no mérito de que era o Jordan, a equipe ainda, sempre, tinha um pivôzão, Cartwright, Wennington, Longley, qualquer um, mas tinha.
O Shaq não precisa correr com o time. Ele mesmo disse nas entrevistas “…posso começar um contra-ataque pegando o rebote…” e para quem duvida que ele ainda corre “…quando não pegar o rebote, vou tentar correr, sei que o Nash vai me procurar no ataque…” Mesmo assim, procure no youtube, vídeos do Lakers de ‘87, o Kareem Abdul-Jabbar demorava para chegar no ataque. Uma equipe conhecida pelos contra-ataques não perdeu esta faceta só por que seu pivô estava mais lento. A equipe corria quando podia, se não conseguisse o contra-ataque, tinha o Kareem para ajudar na jogo de meia quadra.
Marion está tendo uma grande temporada, 20 pts/jogo e 10 rebotes/jogo instantâneos: tem certeza? Bom, vamos ver os números. Marion está tendo médias de 15,8 pts/jogo; 10 rebotes/jogo e 2,1 assistências/jogo. Shaq, machucado por boa parte da temporada, tem 14,2 pts/jogo; 7,8 rebotes/jogo e 1,4 assistências/jogo (acho que, com uma equipe com melhores arremessadores, e atletas que cortem para a cesta e não só assistam ao Shaq, o número de assistências deve aumentar). Não é uma melhora tão grande… Além da lenda de que Marion é um grande arremessador de três pontos, 34% de aproveitamento, bom, mas longe de ser grande.
Phoenix acabou com seu futuro: a troca não é para o futuro. o futuro está “garantido” quando os contratos de Shaq e Nash terminarem, em 2010. Phoenix viu que o atual estilo pararia sempre no quase e resolveu fazer alguma coisa para o agora. Ainda não era hora de implodir o time e recomeçar do zero, então uma troca faria sentido.
Ainda acho que Marion só jogará esta temporada pelo Heat e deve sair de seu contrato, assim que possível, não acho que ele terá um impacto grande na equipe.
Acho que, com um armador e uma equipe muito boa em volta, Shaq deve melhorar sua temporada. Ele já falou com Grant Hill, outro veterano que teve sua recuperação em Phoenix e o ala elogiou muito os médicos do time. Com uma equipe que se movimente, corte para a cesta, e não fique apenas olhando (o que Miami vinha fazendo) os números de Shaq devem melhorar. Como já falei, com muitas pessoas, acho que o pivô pode ser muito efetivo, claro que não terá médias de 27 pts e 15 rebotes, em uma grande equipe.
Leandrinho, Diaw, Nash, Hill e os outros arremessadores de Phoenix devem ter uma vida mais fácil, já que o pivô ainda recebe marcações duplas constantemente. E, quem sabe, após uma boa recuperação, noites de 24 pontos , 15 rebotes e 5 tocos, parecidas com as de um jogo contra Yao Ming e o Houston Rockets, não serão mais freqüentes?
Sem contar que agora a equipe finalmente tem alguém para marcar, Tim Duncan, Yao Ming, sem sacrificar o Amaré Stoudemire. STAT, como é cpnhecido, poderá aproveitar a “defesa de ajuda” para aumentar o número de tocos por jogo. Aliás, o ala de força finalmente vai poder jogar de ala de força. E, assim como David Robinson fez com Duncan, Shaq Diesel vai poder ensinar alguns truques para Stoudemire.

Escrito por Rubens Borges 

Escrito por Rubens Borges